Tratamento de água – por Nilson Maierá

O CLORO E DESINFETANTES ALTERNATIVOS

O cloro ao longo dos anos tem sido e é, atualmente, o desinfetante mais usado em piscinas. Existem vários produtos clorados usados em piscinas, mas na realidade todos conduzem a produção do ácido hipocloroso, que é no caso de piscinas o verdadeiro cloro. Existem vários desinfetantes alternativos usados em piscinas, mas por não terem efeito residual na água (exceção aos ionizadores) obriga ao uso de pequenas concentrações de cloro.

O cloro possui várias vantagens que lhe garante a condição de sanitizante mais usado para a desinfecção de piscinas. São elas:

Seu preço é baixo comparado aos demais sanitizantes;

  • É facilmente encontrado no mercado;
  • É muito eficiente;
  • É bom oxidante;
  • Tem excelente efeito residual;
  • É muito bom algistático e algicida, dependendo de sua concentração e do tipo de alga considerada;
  • Tem alto espectro de ação;
  • É fácil de medir por aparelhagem simples;
  • É fácil de introduzir na piscina. 

 

Muitas das desvantagens podem ser evitadas se houver uma constante monitoração da água da piscina, auxiliada por testes periódicos. Em piscinas de grande porte, e atualmente, também nas de médio e pequeno porte, esta operação pode ser efetuada por controladores automáticos. Citaremos, a seguir, algumas das desvantagens:

  • Reação com produtos nitrogenados;

Em uma reação de oxidação parcial, o cloro produz cloraminas, compostos químicos de odor desagradável, principalmente, o da tricloramina, conhecido como odor de “cloro”, que irrita os olhos e as mucosas. A supercloração ou a oxidação periódica elimina ou atenua esse problema.

  • Alto consumo, em dias ensolarados;

Os raios ultravioletas elevam o consumo de cloro. Este problema pode ser minimizado com o uso de estabilizadores, (condicionadores), citados adiante.

  • Alteração no pH;

A maioria dos produtos clorados, por meio dos subprodutos gerados nas reações químicas com a água, altera consideravelmente o pH. Essa desvantagem pode ser minimizada por um constante monitoramento do pH e mantendo-se a alcalinidade dentro dos padrões.

  • Influência do pH na ação sanitizante;

O cloro tem sua ação sanitizante fortemente influenciada pelo pH que indica como o ácido hipocloroso é dissociado em função do pH. O constante monitoramento e a adequação entre 7,2 e 7,6 eliminam qualquer problema de sanitização relacionado ao pH.

  • O cloro como elemento alérgico;

Muitas pessoas são alérgicas ao cloro, que afeta principalmente, os olhos, as narinas e a pele. Para concentrações acima de 3 ppm de cloro livre na água, o número de pessoas sensíveis ao cloro aumenta consideravelmente. Este fato não pode ser evitado e constitui-se na grande desvantagem do cloro. Nas publicações especializadas no uso de cloro em piscinas, afirma-se que essa alergia é proveniente das cloraminas e não do cloro livre. No entanto, observando os usuários de algumas piscinas, verificamos um aumento da alergia (olhos e pele, principalmente) quando o cloro livre é superior a 3 ppm.

  • Estocagem, transporte e manuseio;

Os cloros granulados e em pastilhas com alto poder de oxidação requerem cuidado especial na armazenagem, pois existe sempre o perigo de incêndio. O cloro líquido apresenta problemas de transporte e manuseio, e o cloro gás, sendo um produto altamente tóxico, exige cuidados de transporte, estocagem e manuseio.

GERADORES DE CLORO

Uma das alternativas ao cloro são os geradores de cloro, que na realidade não é uma alternativa, uma vez que no equipamento (célula) produz cloro líquido. Mas é uma maneira diferente de produção de cloro, no interior ou exterior da piscina

Vantagens:

  • Tem baixo custo operacional;
  • Proporciona maior segurança operacional;
  • Requer pouca mão-de-obra;
  • Perfaz uma cloração constante;
  • A cloração é ajustável;
  • Mantém o pH estável;
  • A água fica mais agradável ao contato e há menor incidência de manifestações alérgicas;
  • Favorece o desempenho da filtração, deixando a água mais cristalina.

 

Desvantagens:

  • O investimento inicial é alto (na aquisição e instalação do aparelho);
  • Se o painel de controle não tiver um medidor de teor de sal, haverá custo adicional de medição, embora esse custo não seja alto;
  • Gera custo de lavagem da célula eletrolítica impregnada com carbonato de cálcio. Aparelhos modernos, com ciclo de reversão de polaridade nas placas, têm menor necessidade de limpeza, mas devem ser lavados com ácido clorídrico, que também é agressivo ao ser humano;
  • O alto custo de manutenção dos aparelhos;
  • Alto custo de reposição da cuba eletrolítica.

 

OZÔNIO

Vantagens

  • Maior poder germicida;

Destrói bactérias, vírus, protozoários, esporos, cistos, fungos, leveduras, etc., mesmo em concentrações muito baixas e com tempo de contato bem pequeno, sem acrescentar contaminantes à água da piscina. Em relação ao cloro, que é considerado um bom desinfetante, o ozônio apresenta, para a mesma concentração do cloro, as seguintes vantagens:

– 25 vezes mais eficiente para enterobactérias;

– 5 vezes mais eficiente para vírus;

– 40 vezes mais eficiente para esporos de bactérias;

– 10 vezes mais eficiente para cistos amebianos.

  • Maior poder oxidante;

A Tabela de óxido-redução do ozônio, em relação aos outros desinfetantes, dá uma ideia, do poder de desinfecção do ozônio em relação aos demais desinfetantes utilizados ou não em piscinas. Outra tabela, mostra o poder desinfetante dos vários produtos em relação ao cloro.

Devido ao alto poder de óxido-redução, o ozônio é muito reativo. Veja abaixo alguns produtos químicos encontrados nas águas das piscinas e que são oxidados (destruídos ou decompostos) pelo ozônio:

– Destruição por oxidação de cloraminas inorgânicas e orgânicas responsáveis pelo mau cheiro e causadora de irritação na pele, mucosas e olhos;

– Destruição por oxidação de óleos usados pelos banhistas;

– Oxida ferro a hidróxido férrico e manganês a óxido de manganês, os quais são removidos por sedimentação e/ou filtração;

– Oxida ácido sulfídrico a ácido sulfúrico, o primeiro responsável por um cheiro desagradável;

– Oxida cianidas (CN)- a cianatos (CNO)-;

– Oxida tiocianatos, transformando-os em gás carbônico e nitrogênio;

– Oxida nitritos a nitratos;

– Oxida brometos a bromo;

– Oxida compostos orgânicos e inorgânicos que imprimem cor à água, removendo a cor indesejada;

-Oxida produtos que conferem à água sabor e odor desagradáveis, eliminando-os;

-Oxida a maioria dos hidrocarbonetos encontrados na água;

-Oxida produtos orgânicos, quebrando suas moléculas, possibilitando fácil remoção pela mineralização desses produtos. A mineralização consiste na transformação dos produtos orgânicos em diversos tipos de gás, principalmente o gás carbônico que se liberta, e água. Quando não ocorre a mineralização, a matéria orgânica é parcialmente oxidada, mas se torna filtrável.

Nota: Devido à oxidação de todos esses produtos, o ozônio ajuda a reduzir o total de sólidos dissolvidos.

  • Microfloculação;

O ozônio introduz oxigênio em compostos orgânicos, produzindo ácidos carboxílicos, aldeídos, cetonas e álcoois, os quais são mais polarizados que os produtos orgânicos anteriores. Esses produtos polares são capazes de se ligar através do hidrogênio, aumentando seus pesos moleculares. Na presença de cátions metálicos polivalentes como ferro, alumínio, cálcio ou magnésio, esses compostos tendem à floculação. Por isso o tratamento com ozônio, inicialmente, torna a água turva, para depois torná-la clara.

  • Alto poder de desinfecção ao Criptosporidium Parvum;

Os produtos clorados possuem muito baixo poder de desinfecção em relação ao protozoário Criptosporidium Parvum. Em uma concentração de cloro de 1 ppm são necessários, aproximadamente, um período de 10 dias para a morte deste micro-organismo. Com o ozônio, nas concentrações usuais, poucos minutos são necessários. Um grama de fezes de uma pessoa infectada com este micro-organismo produz mais de um milhão de oocistos e apenas uma quantidade de 20 destes oocistos são suficientes para uma infecção gastrointestinal de severas consequências.

  • Outras vantagens:

– Tem pH neutro;

– Não afeta o pH;

– Não irrita a pele, nariz, ouvido e nem deixa filme de produtos químicos no corpo;

– Reduz o consumo de cloro e bromo, proporcionando economia;

– É produzido no local;

– É saudável, pois se decompõe em oxigênio, não deixando nenhum traço de produtos químicos;

– Reduz significativamente produtos químicos agressivos;

– Elimina gordura na linha da água.

Desvantagens

  • Baixo efeito residual desinfetante;

Na água da piscina a semivida é de menos de meia hora na temperatura de 20°C. A semivida varia com a impureza da água e, no caso de água bidestilada, a semivida é alta, enquanto a da torneira da concessionária a 20°C é de 25 minutos apenas. Em temperaturas maiores a decomposição é mais rápida, assim como na presença de ontaminantes, fato que obriga a ser usado em conjunto com outros desinfetantes de efeito residual prolongado, como o bromo e o cloro.

  • Pouco eficaz contra algas;

Como a semivida é baixa e quase todo o tratamento é feito fora da piscina, o ozônio é pouco eficiente contra algas, principalmente as aderentes mostarda e preta que se desenvolvem nas paredes e piso da piscina, mesmo quando este destrói a maior parte de seu alimento. No tratamento da água da piscina o autor tem encontrado dificuldade na eliminação das algas verdes, o que obriga o uso de algicida como tratamento suplementar.

  • Difícil mensuração de sua concentração na água e no ar;

É difícil medir o ozônio, primeiro porque são valores muito baixos, e depois porque, ao fazê-lo, pode-se também medir outros compostos químicos. Existem aparelhos que medem apenas a concentração do ozônio, mas são caros.

  • Difícil mensuração de baixos teores de cloro;

Uma das grandes vantagens do ozônio é a utilização de baixos teores de cloro livre, algo em torno de 0,5 ppm. Mas a medição de baixos valores de cloro livre com os kits de teste normais é extremamente difícil.

  • Difícil mensuração de cloro combinado;

Se a dificuldade de medir cloro livre é grande, a dificuldade para medir cloro combinado é ainda maior, porque o cloro combinado na água deve ser menor que 0,2 ppm (de acordo com as normas americanas), mas os kits de teste não possuem precisão para valores assim baixos, sem falar que a concentração de ozônio na água interfere nos resultados. A maior vantagem é a ausência quase total de cloro na água. Com isso, evitam-se todos os problemas que o cloro e as cloraminas provocam. A maioria das legislações obriga, mesmo no caso de ionizadores, a utilização de uma pequena concentração de cloro ou de bromo, bem menor que a das, normalmente, especificadas, e que varia de país para país ou de estado para estado;

Não alteram o pH da água;

  • O pH tem pouca influência na ação desinfetante do cobre e da prata;
  • Não alteram a dureza e a alcalinidade da água;
  • Não sofrem decomposição, se sujeitos à luz solar;
  • Exigem menor controle da água e menor frequência na compra de produtos químicos para piscina;
  • A água de retrolavagem pode ser usada para regar grama e jardim;
  • Se o aparelho for colocado na linha de retorno, elimina-se a aspersão direta de produtos na água, como ocorre normalmente com o cloro que é introduzido, em geral, manualmente;
  • Como todo processo contínuo de introdução de sanitizante, eliminam-se picos (tanto para cima como para baixo) de concentrações de sanitizante na água, como acontece com o cloro quando colocado manualmente na piscina.

Desvantagens dos ionizadores em relação ao cloro

  • O custo inicial do aparelho;
  • A introdução do cobre na água, que, em quantidades superiores a 1ppm, pode manchar a piscina e tingir os cabelos dos banhistas (principalmente os loiros);
  • O cobre, na presença de oxidantes potentes, como o cloro ou o peroximonosulfato de potássio, é convertido em óxido de cobre, que é preto, e apresenta alto potencial para manchar a piscina;
  • A prata pode combinar com cloretos, formando cloreto de prata, e com carbonatos, formando carbonato de prata, que, devido à baixa solubilidade, pode sofrer precipitação;
  • A prata e o cobre não são oxidantes;
  • Há dificuldade de medição do teor de prata;
  • O efeito sanitizante é mais lento que o do cloro;
  • Pouco eficiente sem uma pequena porcentagem de cloro, ou bromo, próximo de 0,3 ppm.

 

UV

Vantagens

  • A maior vantagem é que esta radiação não possui os inconvenientes do cloro, mesmo que uma pequena quantidade dele deva ser mantida devido ao seu efeito residual. Portanto, são diminuídos o odor, olhos irritados e coceiras na pele decorrentes das cloraminas;
  • Pouca interferência no pH;
  • É o único desinfetante que não acrescenta nenhum produto químico à água;
  • Não conferem sabor e cor à água;
  • Exigem pouco manuseio de produtos químicos;
  • Diminuem problemas de estocagem de produtos químicos;
  • Sua atuação não é influenciada pela temperatura;
  • Não produz subprodutos;
  • Não necessitam de tanque de contato (vantagem em relação ao ozônio);
  • Atuam na vazão total de retorno (vantagem em relação ao ozônio). 

 

Desvantagens

  • A turbidez da água, que, mesmo sendo mínima, reduz a eficiência dos raios ultravioleta;
  • Não apresenta efeito residual, devendo, portanto, ser usada; juntamente com uma pequena quantidade de cloro ou de bromo;
  • Não tem poder oxidante, o que obriga ao uso de um oxidante;
  • Investimento relativamente alto;
  • Custo de manutenção quando da troca de lâmpadas.

 

  Nilson Maierá

7 Replies to “Tratamento de água – por Nilson Maierá”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Check Also

Parâmetros Monitorados, Segurança na Piscina – por Edilene Cotrim

Terapias envolvendo a água são amplamente recomendadas por profissionais da saúde para o c…