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Outras - 09/12/2020

ABNT – Fique por dentro

Sou ODELE SOUZA, mãe de Flavia Souza Belo. Minha filha tinha 10 anos de idade. quando em 1998, sofreu um acidente de afogamento causado pela sucção do ralo da piscina onde nadava, no condomínio onde
morávamos, em Moema, zona Sul de São Paulo.
Presa pelos cabelos ao ralo, Flavia teve parada cardio respiratória, o que lhe causou graves e irreversíveis sequelas neurológicas. Desde então minha filha vive em coma vigil ou estado mínimo de consciência.
Desde então, já se passaram quase 23 anos, onde o sofrimento diário é indescritível.

Todos os anos, com a proximidade do verão, aumenta
o número de afogamentos de crianças nas piscinas do Brasil, acidentes esses quase sempre fatais. E quase sempre esses acidentes podem ser evitados.

Em se tratando de afogamentos em piscinas, dois tipos de acidentes costumam ser recorrentes.

– Crianças pequenas que num momento de distração do adulto por elas responsável, caem na piscina e se afogam.

– Crianças maiores – (caso de Flavia) que ao se
aproximarem do ralo, ficam presas, ao ter partes de seus corpos sugados pela forte sucção do ralo.
Nesse caso, mesmo a criança sabendo nadar, o
afogamento ocorre porque a força da sucção do ralo
da piscina é tão grande que a criança não consegue
se desvencilhar e a tragédia acontece.
No caso de meninas, elas ficam presas pelos cabelos. Já os meninos, por qualquer outra parte do corpo, como por exemplo braços e pernas. A maioria dos
acidentes causados pela sucção dos ralos das
piscinas são mesmo fatais ou deixam a criança com gravíssimas sequelas neurológicas.

O que causa indignação é que para evitar os
afogamentos causados por falta de segurança nas
piscinas, bastariam pequenas e simples atitudes a serem tomadas por proprietários e administradores
de piscinas, sejam elas de que tipo for. Residenciais, públicas ou coletivas.

No primeiro exemplo aqui mencionado – acidentes com crianças pequenas, a instalação ao redor da
piscina de cercas de proteção e portões autotravantes, poderia diminuir em muito os acidentes de
afogamentos que continuam vitimando tantas crianças em todas as partes do Brasil.

Já no aprisionamento de crianças maiores pela
sucção dos ralos, a instalação da tampa
antiaprisionamento seria o bastante para evitar
acidentes devastadores e salvar muitas vidas.

A norma 10.339 -2018 da ABNT atualizada e
publicada em setembro de 2018, descreve em
detalhes, o que precisa ser feito para tornar a sua
piscina mais segura. Essa norma é resultante de
reuniões mensais ao longo de mais de dois anos,
com pessoas de alto conhecimento técnico sobre o
que poderia tornar uma piscina segura. Foram
muitas as reuniões e encontros entre Engenheiros, Executivos do setor de piscinas, Diretores e
Presidentes de Associações de classe, proprietários
de academia de natação, entre outros. A norma 10.339-2018 da ABNT – deveria ser leitura obrigatória para todos os proprietários e administradores de
piscinas que se preocupam com a segurança de
seus usuários.

É sempre bom ter em mente também que no caso
de acidente grave ou fatal, os responsáveis pela
manutenção da piscina, a depender de perícia técnica feita no local, poderão ser responsabilizados civil e
criminalmente. Já do lado de quem teve um filho ou uma filha com a vida e os sonhos interrompidos, pelo simples fato de estar nadando e brincando em uma piscina, sem os indispensáveis dispositivos de
segurança, nenhuma reparação financeira vai
compensar o sofrimento diário. Nenhuma indenização paga esse sofrimento.

Informe-se e pratique o que diz a norma 10.339.2018 da ABNT e mantenha sua piscina segura. Somente dessa forma poderão ser evitados os muitos acidentes nas piscinas e muitas tragédias que devastam a vida da vitima e de seus familiares.

Odele Souza Tel – (11) 99881 1285

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