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Paisagismo - 17/02/2020

Um pouco de filosofia para iniciar o ano

Como a vida é curiosa!
Ao analisar a evolução recente da humanidade,
digamos, nos últimos 30 anos, percebo que com o imenso e rápido progresso tecnológico, houve como efeito colateral o afastamento do ser humano da
natureza. A população se firmou nos centros
urbanos, que são cada vez mais frenéticos e
automatizados. Vivemos cheios de
regras novas.
Antes tínhamos princípios rígidos que região nossas vidas. Podemos resumir em: respeito, honradez e solidariedade.
Eram conceitos importantes para a sobrevivência
do coletivo e destaque do indivíduo neste coletivo. Portanto, valorizavam as relações humanas e a
autoestima individual. As crianças eram criadas
soltas, brincando na rua ou no campo com vizinhos, e como não havia muita tecnologia, as brincadeiras eram espontâneas e criativas. Por conviverem mais com a natureza, não era raro se deparar com
marimbondos, aranhas ou até cobras. E assim
era fácil de aprender a importância desses três
conceitos básicos: respeito – pois os animais
poderiam se tornar perigosos; honradez (dignidade) – para não entrar em desespero, que em nada é
benéfico; e solidariedade – para ajudar uns aos
outros. Conceitos fáceis de serem percebidos e
uteis em todas as etapas da vida.
Hoje, acredito que esses princípios foram
substituídos basicamente por atitudes politicamente corretas e competitividade. O primeiro é um
conceito muito amplo e o segundo estritamente
individual, ego-centrado. Considerando que somos seres que andam em grupos (famílias), essa
dualidade quase ambígua, torna mais difícil
desenvolver elevada autoestima, desestimula o
coletivo e inibe atitudes espontâneas. As pessoas estão sem saber muito bem como lidar umas com as outras, é mais fácil e seguro interagir de forma virtual do que ao vivo e a cores. Talvez essa seja uma das razões para que haja tantos problemas
psicológicos hoje em dia.
Sim, o distanciamento do ser humano com a
natureza nos trouxe vários problemas, inclusive
psicológicos.
A natureza é sabia e nos ensina de forma clara e
objetiva a importância do coletivo e ao mesmo tempo valoriza o indivíduo.
Mas o ser humano tornou-se um ser urbano, isto
é fato. Em nome do desenvolvimento destruiu
florestas, poluiu, ar, terra, rios e mares.
E agora?
Agora parece que está caindo a ficha.

Nos demos conta de que ao destruir a natureza
colocamos em risco a nossa sobrevivência.
É interessante perceber que muito provavelmente essa mesma natureza que destruímos será a nossa salvação, no mais amplo sentido, não só físico como também psicológico. É o efeito Vice-Versa.
O movimento que se inicia mundialmente de
cuidado e proteção à natureza vai nos reaproximar de conceitos importantes para a vida da coletividade e dos indivíduos.
Como dizia vovó, “o perigoso é quando não
percebemos o problema.”
Já percebemos o problema. Estou certa de que
tomaremos as atitudes necessárias para continuar o desenvolvimento, mas em harmonia com a
natureza. Os sinais são visíveis: infraestrutura verde urbana, proibição de descartáveis plásticos,
produtos com selos verdes, preocupação com as
florestas…, isso em todo o mundo.
Como consequência, estou certa de que
observaremos uma melhora significativa do
psicológico também – a ver!

Um Feliz 2020 para todos, naturalmente!

Vamos em frente!

Eliana Azevedo
Paisagista e artista plástica
MBA em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável
Sócia da Green House paisagismo e
presidente da ANP – Associação Nacional de Paisagismo

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