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Paisagismo - 16/12/2019

A Intolerância e o Nosso Futuro – Eliane Azevedo

A preocupação pelas influências que o ser humano exerce sobre o meio ambiente tem sido motivadora de muitos
estudos, alguns alarmantes com relação ao futuro do planeta.
No último mês de julho a Rede Globo exibiu uma série de reportagens sobre Mudanças Climáticas demonstrando a importância e urgência do tema. Temos visto com frequência cada vez maior a mobilização de cidadãos de diversos países na tentativa de colaborar com a divulgação de conceitos e consequentemente ações que possam ajudar a minimizar os efeitos das mudanças climáticas. Com tristeza vejo também um movimento contrário de pessoas que acreditam ser tudo isso um grande exagero com motivações escusas.

Me preocupo muito com a polarização em questões ligadas à natureza. O extremismo de ideias costuma levar à cegueira com graves consequências.
Hoje conto a história de um “Imperador” que ilustra bem essa minha preocupação e que merece essa minha
homenagem. Não se trata de um ser humano, mas sim
de uma planta conhecida como Árvore do Imperador,
carinhosamente chamada de o “Imperador”.

A Chrysophyllum imperiale é uma árvore de grande porte, nativa do Brasil, especificamente do bioma da Mata Atlântica, entre Rio de Janeiro e sudeste de Minas Gerais. De grande beleza e frutos saborosos a árvore tornou-se a espécie predileta de Dom Pedro I e Dom Pedro II, por essa razão ficou conhecida como a Árvore do Imperador.

Em 1858, Dom Pedro II convidou o botânico francês Auguste François Glaziou para ser o responsável pela área de
Parques e Jardins da Casa Imperial. Nesta época, encantado com a beleza da árvore, Glaziou plantou várias mudas em inúmeros jardins no Rio de Janeiro. Em 1867, a Árvore do Imperador foi premiada na Exposição Botânica de Paris
por sua beleza. A partir de então, Dom Pedro II passou a presentear vários governantes com mudas da Árvore do
Imperador, que por sua vez plantaram em seus Jardins
Botânicos.
No entanto, com a proclamação da República em 1889 e o exílio da família Imperial, alguns republicanos acharam
por bem eliminar todo e qualquer símbolo do Império.
Desta forma, iniciou-se um verdadeiro extermínio da
Chrysophyllum imperiale.

Em 2014 foram identificados apenas 45 indivíduos no mundo, boa parte destes estão nos jardins botânicos de
outros países, presenteados por Dom Pedro II.
Pouquíssimos foram observados em matas brasileiras
(habitat natural).
Um dos maiores estudiosos de nossa flora, Harri Lorenzi, revelou que até 2010 não tinha conhecimento desta árvore. Foi através de um historiador e jornalista português que ele soube da árvore e da existência de um exemplar adulto no Jardim Botânico de Sydney na Austrália. Conseguiu algumas sementes que produziram apenas duas mudas viáveis. Atualmente é um dos maiores defensores e trabalha
fortemente para reintroduzir a espécie na Mata Atlântica.
Esse é o resultado da intolerância que mencionei no início deste artigo.
Quando se trata de preservação da natureza, do nosso
habitat, não podemos permitir que opiniões extremadas
de um lado ou de outro prejudiquem o futuro de nossas
paisagens.
Opiniões distintas não deve ser motivo de discórdia e sim
de aprendizado, de exercício da tolerância e do respeito.
Vamos todos juntos cuidar muito e bem da nossa Terra Azul, e verde, amarela e de todas as cores!
Desejo um Feliz Natal a todos e com esperanças renovadas para 2020!

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