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História da Piscina - 28/01/2018

As Termas Romanas – História da Piscina – Parte III

Após o continente asiático, especificamente a região do atual Paquistão, e o norte da África, onde se desenvolveram as dinastias do Egito, a linha histórica da piscina passou decisivamente pelo império Romano. Foram as Termas Romanas que impulsionaram a evolução da piscina, tal como a conhecemos hoje. Enormes complexos sanitários e esportivos que representaram uma das mais admiráveis realizações da civilização Romana.

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O primeiro estabelecimento deste tipo foi inaugurado no final do século I antes de Cristo por Agripa, um amigo e colaborador do imperador Augusto. Após a construção do Termal do Campo de Marte, a moda se espalhou pelo império. Acredita-se que foi a democratização do prazer dos banhos que impulsionou a sua rápida multiplicação. O que antes era privilégio dos proprietários das grandes vilas, ficou acessivo para todo cidadão Romano.

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Em pouco tempo, desencadeou-se uma verdadeira competição entre os imperadores Romanos para oferecer aos seus cidadãos termas cada vez maiores e luxuosas. A maior delas, que se tem notícia, foram as Termas de Diocleciano que superaram as de Caracalla, um conjunto de construções de 140.000 metros quadrados onde, calcula-se, 3.000 banhistas por dia, frequentaram as suas instalações.

Não raras vezes, os ambientes e as suas piscinas eram aquecidas por enormes fogaréus sob o piso do complexo termal. A engenharia Romana havia desenvolvido um sistema engenhoso de aquecimento, chamado de Hypocausto. O chão era elevado através de pilares e as paredes eram duplas. O espaço que ali se criou, bem calafetado, serviu para circular água ou ar aquecido (veja o desenho). Os recintos que precisavam de mais calor eram planejados perto da fonte de calor (praefurnium), onde a temperatura poderia ser elevada, simplesmente aumentando o incêndio subterrâneo colocando mais madeira.

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Sem fazer distinção entre classe ou status, geralmente à tarde, os
Romanos abandonaram suas afazeres para se locomover às Termas.
Homens e mulheres, mesclados se utilizaram das inúmeras atividades destes lugares. Depois do banho, passeavam nos verdes jardins, visitavam as vastas bibliotecas, assistiam apresentações de acrobatas ou recitais literários. Os mais atrevidos mantiveram ali até encontros eróticos. As Termas eram lugares muito agradáveis, porém barulhentos, como o filósofo grego Sêneca escrevia, quando ele vivia um tempo próximo a uma das Termas em Roma.

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Alguns imperadores tentaram, aparentemente sem êxito, impor horários diferentes para homens e mulheres, já que acusavam as últimas de ser uma constante provocação erótica. Somente com a vinda da religião cristã, como religião oficial do império Romano, se proibiu as mulheres de desfrutar os banhos públicos e as Termas.

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Apesar de que, para entrar, as Termas estavam ao alcance de todos, devemos observar que isso já não se aplica aos seus serviços. Para uma massagem, por exemplo, precisava se de escravos da casa que, normalmente eram pagos.

Via de regra, as atividades nas Termas eram numerosas. Tanto dentro, como fora encontravam-se todo tipo de personagens mostrando as suas habilidades ou vendendo os seus produtos. Desde vendedores de perfumes, comidas típicas, até toalhas de banho e sandálias, passando por uma multidão de adivinha-
dores, astrólogos, filósofos e comediantes.

Hoje em dia, quase nada resta da fina decoração e acabamento das Termas Romanas, mas muito foi registrado por diversas testemunhas, invariavelmente comentando a beleza e luxo impressionantes destes lugares com seus altos e iluminados recintos. Revestidos de esplendorosos mosaicos e elaboradas pinturas sobre painéis de mármore com detalhes em diversos metais nobres. Um mundo em miniatura, onde Roma refletia seu esplendor e a sua opulência.

Piscinas foram obviamente importantes durante esses tempos, e usadas para muitas atividades públicas e sociais, mas também foram importantes nas casas. Os imperadores Romanos e Gregos tinham enormes piscinas ornamentadas nas suas residências com até peixes vivos neles. Na verdade a palavra ´piscina´´ vem de ´´piscine´´ peixe.

A primeira piscina, tipo ´´spa´´ personalizada, foi concebida e projetada por Gaius Maecenas, um dos conselheiros políticos do Augusto Cesar em algum momento, perto do início da era Cristão. Esta piscina foi, supostamente, magnífica, com cascatas, jardins, terraços com vista para as bibliotecas, casas de campo e uma decoração incrivelmente luxuosa.

Ainda existem no mundo atual, alguns lugares onde podemos ver um reflexo das grandiosidades que a civilização Romana nos deixou.
Uma sombra de sua magnitude e esplendor podemos encontrar em Bath na Inglaterra, lugar sagrado dos Celtas, mais tarde transformadas em Termas pelos Romanos, e o Hearst Castle na Califórnia, nos Estados Unidos. Um conjunto de construções, erguidas no começo do século 20, pelo magnata de comunicação William Randolph Hearst, a maior parte inspirado nas Termas Romanas. Ambos os monumentos estão abertos para sua visitação onde podemos nos transportar, um pouco, para os tempos do Império Romano e imaginar como esta civilização influenciou, em muitos aspectos, o nosso estilo e modo de viver nos dias de hoje.

One Reply to “As Termas Romanas – História da Piscina – Parte III”

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