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Outras - Paisagismo - 14/06/2019

Vegetação e Piscinas – por Frederico Karam

A composição básica dos ambientes de estar externo, além de mobiliário, envolve a presença da água e do verde. Para a maior parte dos espaços, além da função de lazer ativo, as piscinas são o elemento que proporciona também a contemplação da água, dos reflexos, da cor.

A vegetação é o complemento que dá a vida, a paz, e as sensações se aguçam pelas mudanças, pelos aromas e cores. Se no planejamento do jardim levamos em conta
o conhecimento das características das espécies
propostas, tanto em relação à dinâmica da produção de parte aérea, bem como de desenvolvimento radicular,
teremos uma otimização da manutenção e conservação dos elementos do espaço.

A parte aérea da vegetação é responsável por boa
parte da necessidade de limpeza das piscinas. O uso de espécies nas proximidades das piscinas, de folhas
grandes, de limbo inteiro, ou pelo menos sem folíolos
pequenos é um cuidado que ajuda na menor frequência com que temos que voltar a limpá-las. Entre um sem fim de exemplos, os Guaimbés (Philodendron spp.) são
espécies ótimas para as proximidades das áreas
pavimentadas. Às vezes, plantas que a princípio são
adequadas, como palmeiras, podem ter na produção de
flores ou na posterior frutificação, uma queda concentrada de estruturas que podem sujar as piscinas, no entanto, o fenômeno se dá por poucos dias no ano e além disso, permite, em casos extremos, que o cacho inteiro possa ser removido antes da queda das flores/frutos. Em geral, as folhas coriáceas são pesadas, não são dispersas
facilmente pelo vento, como por exemplo, as folhas de Zâmia (Zamia furfuracea), assim como as folhas das
suculentas.

Nos preocupamos particularmente com a presença de bambus nas proximidades das piscinas, por esse grupo de plantas, apresentar abscisão
foliar quase que permanente, durante todo o ano.

Ainda com relação à parte aérea, também
devemos atentar para que a planta/árvore,
durante o seu desenvolvimento, não interrompa a radiação solar de maneira não desejada, a fim de que não necessite podas durante o seu
desenvolvimento.

Não menos importante é dar atenção para o
desenvolvimento de sistema radicular. Nas zonas subtropicais e temperadas, essa
preocupação se dá sobre dois gêneros da
família Salicaceae, Salix e Populus, gêneros dos Salgueiros e dos Álamos, respectivamente, ambos com características de sistema radicular muito agressivo. Salvo exceção de poucas
espécies, os indivíduos desses dois gêneros
procuram avidamente umidade e são preocupação constante em tubulações.

Nas zonas tropicais e subtropicais, o plantio de Figueiras (Ficus spp.) são particularmente
preocupantes pelo fato de as suas raízes serem muito agressivas. Procuram nutrientes, umidade e
desenvolvem-se em substratos muito pobres,
o que as viabiliza em zonas de fundações, de infraestrutura de tubulações etc. sendo fonte a médio/longo prazo de problemas em zonas pavimentadas ou canteiros. Entre as suculentas, grupo em que também há plantas de grande porte, pode haver fonte de preocupação. Em Yucca, Y. elephantipes é particularmente agressiva,
apresentando crescimento rápido e desproporcional entre parte aérea e sistema radicular.

Passadas as ressalvas, é importante salientar que o
sistema radicular das palmeiras, que é fasciculado, sem uma raiz principal, não apresenta riscos, desde que se relacione o porte da espécie escolhida com a oferta de substrato para o seu desenvolvimento. Há no Brasil em torno de 200 espécies de palmeiras, quase todas com grande potencial paisagístico e um número muito maior de espécies exóticas disponíveis para compra.

Os arbustos, que são muito importantes na composição dos ambientes externos e dentre os quais temos uma imensa oferta no mercado brasileiro, convivem em geral muito bem com as instalações das piscinas e com as áreas pavimentadas.

Para ambientes pequenos, que perfazem grande parte dos espaços nas casas e apartamentos hoje construídos, podemos lançar mão de palmeiras de pequeno porte, como o Butiazeiro-da-Praia (Butia catarinensis) entre tantas outras.

Por fim, um outro componente que estimula nossos
sentidos são os aromas, onde flores perfumadas como as do Jasmim-do-Cabo (Gardênia jasminioides) agradam à maioria das pessoas.

As hortas de temperos, que também tem ervas muito aromáticas, como o Alecrim Pendente (Rosmarinus
officinalis Prostrata), exalam muitos aromas, às vezes com um leve toque, além de enriquecerem os momentos de confraternização após um relaxante banho.

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