Limpeza Física da Piscina – por Nilson Maierá

Antes da limpeza física propriamente dita da piscina
são necessárias operações complementares que
posteriormente serão de grande valia. Essas operações consistem em: limpeza da capa, limpeza do deck, limpeza dos cestos pré filtros e das coadeiras e
regeneração do meio filtrante.

Limpeza da capa

Uma boa limpeza física começa sempre pela limpeza
da capa, quando ela estiver sendo usada. Uma das
vantagens da capa é facilitar a limpeza da piscina. Capas sujas jogam sujeiras nas piscinas e sua colocação e
retirada com o devido cuidado são fundamentais. Aparas e gramas são sujeirascomuns introduzidas nas piscinas pela capa.

Limpeza do Deck

A limpeza do Deck é importante para uma boa limpeza
da piscina. Decks feitos corretamente possuem desnível para fora da piscina; mesmo assim durante sua varrição deve-se evitar ao máximo a entrada de sujeira.
3- Limpeza do Cestos da coadeira e do pré-filtro
Os Cestos devem ser limpos, com certa frequência, senão pode haver uma perda de vazão da bomba como consequente diminuição da limpeza física da piscina. O interior dos cestos dos pré filtros das bombas, pode ser visualizado através da tampa transparente, indicando a necessidade ou não de limpeza.

Regeneração do meio filtrante

Assim como os cestos das coadeiras e pré filtros,
diminuem a vazão, o mesmo acontece à medida que o meio filtrante vai retendo sujeira. A sua regeneração é importante para a limpeza da piscina.
5- Limpeza física da piscina
Chama-se de limpeza física da piscina, a retirada dos sólidos responsáveis pela turbidez e pela má aparência da água da piscina. Esses sólidos podem ser objetos grandes, como fo-lhas e insetos, ou bem pequenos, que chamaremos de partículas, podendo chegar a dimensões menores que um “micron” . O olho humano vê somente as partículas de tamanho acima de 30 micra.
O filtro desempenha a função vital no processo de limpeza, mas seu trabalho só pode ser realizado se as partículas na água chegarem até ele. Se a sujeira estiver aderida às paredes ou ao piso da piscina, ou estiverem flutuando, o filtro não realiza esta função. Numa piscina consideram-se as seguintes áreas de limpeza:
– superfície da água; – meio aquoso; – paredes da piscina; – piso da piscina.

Superfície da água

Consiste de uma lâmina com espessura de 20 a 30 cm
de água a partir da superfície. Nessa lâmina encontra-se a maior concentração de sujeira e o menor teor de
sanitizante.
As coadeiras, ou qualquer sistema de transbordamento perimetral, são as grandes responsáveis pela retirada de partículas da superfície da água desde que sejam em número adequado e bom posicionado. Através delas a água da superfície da piscina chega ao filtro. Mesmo com o uso correto das coadeiras, é necessário fazer uma limpeza ma-nual, utilizando peneiras para retirar folhas, insetos e outras impurezas da água, quando se quiser usar imediatamente a piscina. O uso da peneira colabora com a posterior operação de aspiração, que será
comentada a diante.
Na piscina ao ar livre, o uso de uma capa facilita o
trabalho de limpeza da superfície da piscina.
Nas piscinas cobertas principalmente, os óleos usados pelos banhistas que boiam na superfície da água e
fixam-se nas paredes; é o maior problema. Eles são
facilmente removíveis com uma esponja embebida em um produto denominado limpa bordas.

Meio Aquoso

É toda água da piscina com exceção da água contida na superfície. As partículas que se encontram no meio
aquoso são succionadas pela bomba, através do(s)
ralo(s) de fundo e, retidas pelo filtro.
A eliminação das partículas é influenciada pela potência da bomba, o tamanho do filtro, o tipo de filtro, o tempo diário de filtração, a geometria correta dos dispositivos de retorno, a coadeira, o ralo de fundo etc.
Paredes da Piscina

Nas paredes fixam-se a oleosidade natural do corpo, óleos bronzeadores, carbonato de cálcio, metais, algas etc. A limpeza das paredes é feita com a ajuda de escovas adaptadas a cabos metálicos, que possibilitam à pessoa que fizer a escovação ficar fora da piscina. As escovas, também denominadas de escovão, podem ter as cerdas de náilon ou de aço inoxidável. As primeiras podem ser utilizadas em piscinas com qualquer tipo de acabamento, enquanto as últimas, somente em piscinas azulejadas.
O material que é escovado vai para o meio aquoso ou para o piso e, daí para o filtro, via ralo de fundo e bomba.
A limpeza também pode ser feita de dentro da piscina, sem o uso de cabos, usando-se escovas, pedra-pomes ou lixa. A escovação, quando feita com a piscina vazia, é
trabalhosa, mas é a maneira mais eficiente de limpar seu piso e suas paredes.

Pode-se facilitar a escovação com o uso de solução diluída de ácido muriático. O ácido, proveniente da sobra da limpeza, deverá ser neutralizado com barrilha, antes de alcançar o ralo de fundo. Este procedimento só é
possível quando da manutenção geral da piscina.

Piso da Piscina

Nele pode ser encontrado o mesmo tipo de sujeira que aparece nas paredes laterais, além de resíduos maiores, não aderentes, como folhas, insetos, curativos do tipo “band-aid”, grampos etc.

Os pisos de piscinas com profundidades maiores, mais
de 1,80 m por exemplo, podem apresentar sujeira aderida, porque os pés dos banhistas não tocam o fundo, não rea-lizando a limpeza naturalmente. Nas piscinas de profundidade inferior a 1,80m, os banhistas, pelo contato dos pés com o piso, se encarregam de tirar, pelo menos parcialmente, a sujeira aderida ao fundo da piscina.
No caso de limpeza conjunta de parede e piso, primeiro deve-se fazer a limpeza da parede, para que a sujeira vá para o fundo da piscina. A limpeza do piso tem início com o escovão e termina com o aspirador, a menos que se consiga varrer a sujeira diretamente para o ralo de fundo. O uso da coadeira e da peneira alivia bastante a limpeza do fundo.

Fatores que influenciam na operação de limpeza

– tipo de piscina (ao ar livre ou fechadas e cobertas);
– uso ou não da capa;
– presença ou ausência de árvores que soltam folhas nas proximidades da piscina;
– número de usuários por dia;
– uso ou não de duchas pelos usuários antes de entrar na piscina etc.

Aspiração

Deverá ser feita, sempre que possível, antes do início das atividades diárias da piscina. Durante a noite, resíduos maiores e, principalmente, as partículas pequenas
depositam-se no fundo. Se a aspiração não for feita neste período, a entrada de banhistas movimentará a água, provocando a volta da sujeira para o meio líquido,
turvando a água.

No corpo do aspirador são conectados os cabos
metálicos, geralmente, telescópico, e a mangueira de
aspiração, que têm a outra ponta fixada ao bocal de
aspiração. Após a adaptação da mangueira ao aspirador e ao bocal de aspiração, deve-se ligar o motor da bomba, cuja alavanca da válvula seletora deve estar na posição drenar, para levar sujeira e água para o esgoto. Quando houver pouca sujeira, pode-se aspirar com a válvula na posição filtrar. Durante esta operação, deve-se evitar a entrada de ar no sistema de recirculação.

Decantação

Deve ser realizada com muito recurso; Quando o
tratamento aplicado à piscina foi inadequado; Quando o tratamento foi abandonado; Ou, finalmente, quando as tubulações do conjunto barra/filtro foram
subdmensionados e não existe outra maneira de reparar o erro. O produto utilizado para decantação é o sulfato
de alumínio que, reagindo com a água dá origem ao hidróxido de alumínio, que flocula e precipita no fundo da piscina. De consistência gelatinosa, arrasta consigo para o fundo da piscina todas as impurezas que encontra no caminho.

A reação com a água é a seguinte:
sulfato de alumínio + água sulfato sulfúrico +
hidróxido de alumínio
AI2(SO4) + 6H2O 3H2SO4 + 2AI(OH)3

Para uma boa decantação o pH ideal é 7,4, bem como uma alcalinidade superior a 100ppm. Valores diferentes podem levar a uma decantação pobre, usando a água e fazendo com que demore várias horas, ou mesmo dia, para que o hidró-xido de alumínio que flocuou seja absorvido pelo filtro. O sulfato de alumínio, que é ácido, reduz o pH da água; por isso é necessário adicionar
barrilha para elevar novamente o pH da água até
alcançar seus valores ideais.
Uma das maneiras de efetuar operação de decantação é escrita abaixo:

-Calcular a quantidade de sulfato de alumínio a ser utilizada, que deve respeitar a proporção de 30 a 40 gramas por metro cúbico.
– A quantidade calculada é pesada numa balança;
– Colocar o sulfato de alumínio calculado e pesado em um balde (de preferência de plástico ) que contenha água. Misturar bem, até a completa dissolução do sulfato de alumínio;

– Despejar a solução de sulfato de alumínio de uma forma homogênea sobre a piscina. Esta operação deve ser realizada na ausência de banhistas;

– Durante 60 minutos, misturar o sulfato de alumínio à água da piscina, ajustando a válvula seletora para a posição recircular. Se o filtro não possuir esta válvula, manobrar os re-gistros adequadamente, de modo a fazer a água circular;

– Medir o pH, que deverá estar abaixo de 7,4;

– Utilizando fórmulas usuais para a correção do pH,
calcular a quantidade de barrilha necessária para que o pH volte a 7,4;

– Pesar a quantidade de barrilha, dissolvê-la em água contida num balde e jogar essa solução na piscina.
Ajustar a válvula seletora na posição de circular. Se o
filtro não possuir essa válvula, manobrar o serviço
adequadamente, de modo a fazer a água circular;

– Após 60 minutos, medir o pH, e se ele não estiver em 7,4, fazer as correções. Após o ajuste, desligar a bomba e deixar a água em repouso por 24h. Quando a decantação é bem sucedida, menos repouso é suficiente;

– Fazer a aspiração com bastante cuidado, pois o
decantado tem partículas muito leves que poderão voltar ao meio líquido. A água de aspiração, neste caso, deve ser drenada para o esgoto (válvula seletora na posição drenagem). Essa água aspirada pode ser filtrada quando a quantidade de decantado for muito pequena. Nesse caso colocar a válvula seletora na posição filtrar.

Alternativas no processo de decantação

Alguns operadores realizam a decantação de forma um pouco diferente. Primeiro, ajustam o pH da água da piscina para 7,4 e jogam o sulfato de alumínio e barrilha ao mesmo tempo (às vezes, um depois do outro, com
intervalo de 30 minutos), calculando a quantidade de sulfato de alumínio em 30 a 40 g/m2 de água e de
barrilha em 20 a 30 g/m3 de água. Nessa operação, supõe-se que a barrilha neutralize a acidez do sulfato de alumínio, mantendo o pH em torno de 7,4. Com relação ao resto do processo, é o mesmo da orientação anterior.

Floculação ou clarificação

Embora o processo de decantação também possa ser chamado de floculação, pois o sulfato de alumínio é transformado em flóculos, chamaremos aqui de floculação a um processo um pouco diferente.

Sabe-se que, a maior parte das partículas suspensas na água, tem suas superfícies carregadas eletricamente com cargas negativas, que se repelem entre si, fazendo com que permaneçam pequenas, não se decantando e não sendo retidas pelos filtros.

O floculante, também chamado de clarificante, é um
produto que, quando acrescentado à água, neutraliza a cargas destas partículas. Por ter carga positiva, atrai e neutraliza as pequenas partículas de carga negativa. Neutras, elas se aglomeram, formando partículas menores, que podem ser filtradas ou se decantar, havendo a possibilidade de serem removidas pelo filtro ou por aspiração. Os dois tipos de clarificadores mais
encontrados são polímeros orgânicos com pH neutro e o policloreto de alumínio. A floculação é desnecessária quando são usados filtros de diatomita, que retêm partículas tão pequenas quanto duas mícras.

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