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Comunicação - 06/03/2019

O conhecimento como empecilho para a sabedoria – por Márcio Coelho

Nos últimos anos que tenho ensinado na Universidade e
também coordenando o Projeto Conexões (que permite aos
estudantes de Marketing desenvolverem um planos completo de Marketing para empresas reais sob a supervisão e
orientação de professores universitários), tenho percebido uma recorrente situação entre os gestores. Muitas vezes, baseados em sua extensa experiência mercadológica, eles não se
mostram abertos a ouvir as sugestões de outros, nem aceitar propostas de melhorias que os alunos tem para oferecer e que poderiam colocar seu negócio em uma nova dimensão.
Isso me faz lembrar que o conhecimento acumulado ao longo da vida pode ser muito útil ao nos mostrar o melhor caminho
a ser seguido mas, ao mesmo tempo, pode ser cruel ao nos
impedir de enxergar novas possibilidades.
O conhecimento como “Efeito Paralisante” – O mesmo conhecimento que nos guiou até aqui, pode nos
impedir de prosseguir.
É fato que chegamos onde chegamos nos negócios e na vida através da experiência acumulada. As coisas que nos aconteceram nos ensinaram a sermos cautelosos em determinados momentos e ousados em outros, a saber quando é o momento certo para
expandir os negócios e também quando é o momento de não arriscar e adotar uma postura mais conservadora. A vida nos mostrou o tipo de pessoa na qual podemos confiar, a diferenciar entre aqueles que estão dispostos a somar conosco daqueles que apenas querem se aproveitar do que temos, a separar a amizade dos negócios, a não “contar com os ovos antes da
galinha, botá-los” e a não sermos nem otimistas nem
pessimistas demais.
Tudo isso, e muito mais, são lições importantes e valiosas que tiramos da vida, da nossa experiência e, por que não, da
experiência alheia a qual também aprendemos a observar para não repetirmos os mesmos erros.
Contudo, essa mesma experiência acumulada ao longo de anos pode também nos limitar para o novo ou para uma serie de
conteúdos que nunca utilizamos, ferramentas que não nos
serviram no passado e possibilidades que não cogitamos
naquele determinado contexto. Como tudo isso nos pareceu serem escolhas acertadas, continuamos nossa trajetória
pensando não serem importantes nem necessárias. Nosso
raciocínio é simples: “cheguei até aqui usando determinados recursos. Por que, agora, eu precisaria mudar minha estratégia para prosseguir?” Isso que eu chamo de “efeito paralisador” pode ser fatal para o seu negócio. Simplesmente por que o
caminho que leva ao sucesso não é uma estrada reta e plana, como você mesmo já percebeu. O que nos trouxe ate aqui, pode ser o mesmo fator que nos estrangula ou nos impede de ver o novo, necessário para prosseguirmos. É isso o que chamam de “reinventar a empresa”, o que nada mais é do que estar aberto para o novo e de recomeçar, quase do zero, para ir ainda mais longe.
Nesse sentido é que o conhecimento produzido, gerado,
experimentado e compartilhado nos livros, cursos, workshops
e universidades – apenas alguns exemplos de lugares onde o “novo” pode ser encontrado – pode ser fundamental para a
revitalização do seu negócio e a garantia de contínuo sucesso. Se o seu pensamento é do tipo de pensamento “se deu certo até aqui, é assim que vou continuar fazendo” te domine, é
possível que o declínio do seu negocio já começou sem você perceber.
“A vitalidade do conhecimento novo acontece, muitas vezes onde e quando menos se espera”.
Uma das características da geração atual, chamada de “
milleniums” é que eles gostam de trabalhar em projetos nos quais possam participar, sentirem-se incluídos, terem um senso de propósito (começo, meio e fim do projeto),
desfrutarem de uma relação de igual para igual ao invés da
tradicional hierarquia, e serem recompensados pelo sucesso
do trabalho em equipe mais do que pelo esforço e performance individual.
Posso ver, claramente, esse perfil nos alunos de Marketing quando, entusiasmados com as possibilidades de aplicarem seus conhecimentos adquiridos em casos práticos e testarem
a funcionalidade da teoria em produzir resultados reais,
elaboravam estratégias, descobriam novos meios de alcançar
o mercado-alvo, pensavam em novas oportunidades para o
produto/marca e desenvolviam um plano de ação meticuloso para o cliente. Contudo, a frustação com a falta de receptividade as suas ideias pelos donos dos negócios era proporcional a
incapacidade deste de olhar para fora e além da sua própria
experiência e considerar diferentes abordagens estratégicas.
Recorrentes vezes tenho que ouvir relatos de talentosos alunos, ora motivados para ver seus clientes crescendo em participação de mercado e atendendo melhor seus consumidores com
propostas inovadoras e diferenciadas, agora frustrados que todo seu trabalho em analisar, pesquisar, avaliar, elaborar e propor novas estratégias não foi sequer considerado. Em
algumas situações, relatam eles, o dono do negócio sequer
quis ouvir o que eles tinham para sugerir e cortou a conversa dizendo “eu não gosto da ideia”.
A questão não é que os jovens estão certos e o administrador experiente está errado. O que fica evidente aqui é que a
sabedoria de saber ouvir e considerar novas perspectivas esta sendo desprezada. A experiência acumulada ao longo dos anos por ações bem-sucedidas fruto de decisões acertadas, agora está lhe bloqueando a oportunidade de receber imputs
valiosos vindos de visões e abordagens diferentes.
A incapacidade de se abrir para o novo impede-lhes de ouvir vozes diferentes e olhar para possibilidades outras.
Como já dizia o sábio Salomão, rei de Israel e autor de um dos livros de sabedoria mais preciosos que de todos os tempos: “Quem despreza os bons conselhos acabará mal, mas quem os segue será recompensado.” Provérbios de Salomão capitulo 13 versículo 13.
A recompensa de ver seu negócio continuar crescendo pode estar associada à sua capacidade de considerar novas
perspectivas, da mesma forma que você considerou as muitas possibilidades que você tinha quando começou seu negócio, e estar aberto para ver, sentir e ouvir os novos ventos que trazem novas oportunidades.

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