Home Comunicação & Marketing Comunicação Você é um bom lider? por Márcio Coelho
Comunicação - 2 semanas ago

Você é um bom lider? por Márcio Coelho

lider

Muito se tem falado de liderança nos dias atuais, mas
inicialmente eu gostaria de fazer um simples teste com você: Lembre-se por um instante do melhor líder que você já teve. Pode ter sido um chefe que você teve no seu trabalho, ou mesmo alguém que lhe marcou em algum projeto ou
atividade não remunerada. Pense naquela pessoa que te
estimulou a prosseguir em frente, a dar o seu melhor, que acreditou em você e que te orientou a tentar de novo quando algo não deu certo.
Agora, em uma escala de 0 a 100, quanto do seu potencial você acha que utilizou enquanto trabalhava com essa
pessoa?
Agora, pense no pior líder com quem você já teve que
trabalhar na vida, e faça a mesma avaliação da utilização do seu potencial na escala de 0 a 100.
Notou a diferença?
É isso o que acontece quando trabalhamos com liderança centrada nas pessoas e não apenas nas tarefas. Se você realmente se importa com sua força de trabalho, você tem tudo para ter uma equipe motivada e produtiva.
Quando recebi esse mesmo teste para fazer pela primeira vez, eu estava em uma palestra para líderes. Lembrei-me que quando trabalhei debaixo de uma liderança participativa,
eu tinha tamanha motivação que me esforçava muito mais para atingir o máximo de excelência do que quando tinha um emprego com melhor remuneração. Pesquisas comprovam que estímulos monetários estão entre os menos eficazes para se atingir resultados encorajadores.
Por quê? Porque nós, como ser humanos, valorizamos
mais o reconhecimento pessoal, que nos traz a sensação agradável de perceber que fizemos diferença na vida
de outras pessoas, ou que trouxemos melhorias ao
ambiente e nos resultados da equipe. Em outras palavras, faz parte de nós querermos deixar uma marca positiva na
estrada da vida.
Se os índices de produtividade na sua empresa não estão nos níveis em que poderiam e você não consegue segurar
os bons funcionários por muito tempo, talvez devesse
começar a olhar para o estilo de liderança que você e seus gerentes estão utilizando.
Por anos, as empresas se preocuparam com os números apenas: índices de produtividade, números financeiros, quantidade vendida e lucratividade ao final de tudo.
E ninguém pode dizer que isso está errado, pois as
empresas dependem de bons números para continuarem ativas e produtivas. Mas por muito tempo o grande
responsável pelos números positivos foi completamente
ignorado.
Estudos comprovam que quando o fator humano é levado em consideração pela gestão empresarial, os resultados
finais tendem a ser mais elevados.
Gostaria de lhe fazer algumas perguntas para ajudâ-lo na análise se o estilo de liderança que você tem adotado está focalizado nas pessoas.

1- Você é acessível?

Não há como liderar e influenciar pessoas se elas não
conseguem falar com você. Se você está passando a
imagem para seus liderados de que você é uma pessoa muito ocupada que não tem tempo para eles, alguma coisa está errada. Elas não vão acreditar que você se importa e que seu estilo gerencial leva em consideração mais o fator humano do que outra coisa qualquer.
Embora a boa gestão ocupe bastante o tempo do gerente e drene muito da sua energia, lembre-se que não existe ativo mais precioso que o fator humano da sua organização.
Afinal, ele é o único recurso que sua empresa possui que
é elástico, que pode ser expandido a ponto de produzir cada vez mais. Essa expansão de recursos não se consegue com ordens autoritárias vindas de cima para baixo, mas com um estilo de liderança responsável e participativo que mantém as portas da sala sempre abertas para qualquer membro da equipe que precise falar com você.
Não apenas acessibilidade física, mas também
acessibilidade de ideias. Ouvir sugestões e levá-las em
consideração. Dar o devido crédito ao autor da ideia e
demonstrar apreciação quando outros lhe mostram
aspectos que você não havia considerado.

2- Você confia na sua equipe?

Uma boa forma de confiar na sua equipe é distribuir
autoridade para eles, providenciar os recursos para que
executem as tarefas, e aguardar os resultados. Se as
pessoas que trabalham com você sabem que você está
acessível, eles irão procurá-lo caso precisem de algo. Se não te procurarem é porque estão ocupados fazendo o que lhes foi confiado e multiplicando os recursos que foram
colocados em suas mãos. E se você confia neles, não
precisará ficar checando a cada duas horas o que eles
estão fazendo, ou em que etapa do processo eles estão.
Quando nos deparamos com um time vencedor,
admira-se não apenas talento individual de cada jogador, mas também as características e estilo do treinador. Entre outras coisas vamos querer saber quem é o técnico e como ele organizou o time. Portanto, essa é a sua tarefa: Além
de encontrar os melhores jogadores, você terá um grande desafio de descobrir em qual posição eles são excelentes, treiná-los para agir como equipe e, então, deixá-los jogar o jogo.
Um bom técnico percebe quando um jogador não está nas suas melhores condições e mesmo quando ele precisa de um novo treinamento antes de voltar a campo. E isso se faz conhecendo sua equipe e confiando no talento individual de cada um, e no resultado do grupo como um todo.

3- Você é dispensável?

Pode parecer um contrassenso mas o bom líder é aquele que nem a equipe nem a empresa precisam dele. Não por que ele não faz nada ou é incapaz de atingir resultados, mas porque montou uma equipe tão produtiva que são capazes de prosseguirem sozinhos.
A função dele será preparar novos desafios, estabelecer alvos mais desafiadores, traçar propósitos instigantes e
continuar abastecendo a equipe de combustível suficiente para irem cada vez mais longe sozinhos.
Esse tipo de líder é tão bom, que quando sai 30 dias de
férias, as coisas continuam funcionando normalmente e nada para, a fim de esperar que ele volte (Nem tampouco ele tem que ficar consultando e-mail a cada meia hora
durante as férias para resolver pendências do trabalho).
Se você estabeleceu uma missão clara na sua empresa e deixa-se guiar por ela, e é honesto o suficiente para
transmiti-la continuamente para a sua equipe, essa
missão deverá guiá-los quando estiverem sozinhos. Sua
presença física será necessária para que sua influência seja percebida. Você terá deixado marcas indeléveis na vida dos seus liderados, a ponto deles continuarem seguindo você e seus ideais, mesmo que fisicamente você não esteja mais lá.
Veja, por exemplo, as três grandes religiões monoteístas do mundo como o judaísmo, cristianismo e os mulçumanos. Todos os seus líderes fundadores (Abraão/Moisés, Jesus Cristo e Maomé) não estão mais presentes fisicamente entre os seguidores, e as religiões continuam se propagando.
Por que? Porque os fundadores capacitaram um grupo de
líderes a tal ponto que não precisaria mais da sua presença física e poderiam continuar espalhando a sua visão e missão
pelo mundo afora. Contudo, em cada um dos seguidores, você pode ver um pouco dos ensinos e da vida do seus
fundadores, pois exerceram um estilo de liderança que
os inspira até hoje.
Então, que tipo de líder você é? Que tipo de líder deseja ser?

Dr. Márcio Coelho
Professor associado de Business no
Providence University College em
Otterburne, Canadá.
O autor é escritor, palestrante, professor e
consultor de empresas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Check Also

Meritocracia e Melhoria Contínua, pratique isso sem receio! por João Burin

Estimular o esforço, o empenho, estabelecer metas e responsáveis pela sua obtenção, reconh…